sexta-feira, 1 de julho de 2011

Distimia da alma

Dia desses, estava eu, concentrado num daqueles encontros pedagógicos (este, em particular, numa Faculdade privada), acabei por fixar o olhar num dos colegas professores.

O curioso disto era que, mesmo com toda a desenvoltura e carisma apresentados pela palestrante, mesmo com todos os sorrisos dos outros ouvintes (hoje, se sabe que através de nossos neurônios espelho, acabamos por acompanhar ações feitas a nossa frente), nada o fazia sair de sua postura séria e, por vezes, contrária a tais comportamentos.

Assim, não tive outra alternativa a não ser escrever algumas linhas de poesia... sem se preocupar com normas ou métricas... apenas com fatos...

Repasso aos que assim permitirem:

Distimia da alma (por Jb Corrêa)


"Era uma vez um professor que não sorria

Por mais que se fizesse palhaçada

Por mais que não se fizesse nada

Simplesmente ele não sorria


Isso me deixava deveras preocupado(a)

Já que, para ser professor, me disseram um dia

Que apesar dos dissabores, a alegria não podia

Deixar de estar presente nesta jornada


Ora, tinha pena dele, de como ele vivia,

Afinal de contas, este não lidava com máquinas programadas,

Mas, com pessoas que buscavam, quem sabe,

Serem um pouquinho mais amadas


E como serem amadas? Se ali não havia

O mínimo de sentimento,

ou quiça, uma abertura velada,

Que nos desse a impressão,

provavelmente errada,

De que aquilo não era

o tal do “desencantamento”


As más línguas diriam de um lado

“por certo não deve ser casado”

Ou “este é um pobre coitado”

Mas, pra mim nada disso é justificado


Sem ser leviano em demasia

Sobre o assunto tenho uma teoria

Se trata de Distimia da alma

Pessoa certa na profissao errada

Indícios de uma vida vazia

Fruto de escolhas equivocadas


Mas, aí vai uma boa sacada

E isso pode ser apenas uma questão de dias

Ainda há tempo de mudar de estrada

Hora de rever suas idiossincrasias


Ademais, é preciso que se entenda neste instante,

Que o sorriso faz parte do nosso labor

Como a talhadeira para o escultor

Assim, almejamos moldar o “ser pensante”

Que então poderá encantar outros seres

por onde ele for..."


João Batista F. Corrêa

Um comentário:

  1. Quem sabe não sorria por dentro...ou, veja o seu, e se satisfaça, nos risos alheios.
    Muito bom texto J.B., de parabéns!

    Inté mais.

    ResponderExcluir